Controladores internos lotam o auditório do TCE em segundo dia de seminário

Bymariana.oliveira

Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) iniciou, na manhã de hoje (13/8/2019), o segundo dia do ciclo de palestras realizado pelo II Seminário de Controle Interno, que aborda o tema “A atuação do controle interno contribuindo para uma gestão pública eficiente”. O auditório Vivaldi Moreira foi totalmente preenchido pelos responsáveis em fazer o controle interno nas prefeituras e demais órgãos e entidades do Estado. Corrupção, risco de controle e estrutura das controladorias foram os assuntos abordados.

O Controlador-geral do município de Belo Horizonte, Leonardo Ferraz (Foto: Thiago Rios Gomes)
O Controlador-geral do município de Belo Horizonte, Leonardo Ferraz (Foto: Thiago Rios Gomes)

O controlador-geral do município de Belo Horizonte, Leonardo Ferraz, fez palestra sobre “o papel do controle interno no combate à corrupção”. De acordo com ele, o Brasil apresenta sua pior nota no ranking da transparência internacional em uma avaliação feita em 180 países. Ele explicou que em 2012, o Brasil caiu da 105º posição para 96º de países transparentes. Ele informou que, nessa mesma pesquisa, a Dinamarca se apresenta como o país com mais transparência, seguido da Nova Zelândia. Leonardo Ferraz defendeu que o combate à corrupção exige metodologia e que não há como “falar de corrupção sem falar de prevenção”.

Tribunal de Contas da União (TCU) foi representado no evento pelo secretário Leonardo Ferreira, que falou sobre a “gestão de risco na prática: risco de controle nas aquisições. ” Leonardo apresentou acórdãos e entendimentos do TCU sobre o tema e relatou casos de sua experiência vivida no serviço público. De acordo com ele, 15% dos municípios do Brasil estão em Minas Gerais e, desse total, menos de 5% adotam o pregão eletrônico. “Isso é assustador. Com o pregão eletrônico, a tendência é obter os melhores preços, mesmo que um ou outro queira burlar o procedimento”, disse. Pregão eletrônico é uma modalidade de licitação usada pelo governo no Brasil para contratar bens e serviços.

Auditora márcia da Rosa Pereira (Foto: Thiago Rios Gomes)
Auditora Márcia da Rosa Pereira (Foto: Thiago Rios Gomes)

Outro representante federal, dessa vez do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, foi a auditora Márcia da Rosa Pereira. Márcia explicou a função e o funcionamento das controladorias internas, além de sua estrutura. A auditora federal conceituou controladoria como “a busca do atingimento do ótimo”. Ela definiu controAuditora Márcia da Rosa Pereira (Foto: Thiago Rios Gomes)ladoria “como órgão, departamento ou secretaria que fará com que haja uma sinfonia, ou seja, que todos trabalhem buscando um só objetivo e a maximização do resultado global da entidade”. Márcia frisou que controlar é “olhar para os riscos”.

Palavra dos controladores

Foto: Thiago Rios
Foto: Thiago Rios Gomes

Flávio Martins de Oliveira, controlador do município de São José do Divino, disse que encontrou muita dificuldade para implantar o controle interno em sua cidade, por não ter equipe capacitada e não ter espaço físico (ele tem que compartilhar sala com o chefe de gabinete). O controlador do município situado no leste do Estado explicou também que encontrou resistência no secretariado, “até mesmo por desconhecimento da parte deles não saberem o que uma controladoria faz”, disse. Ele sugere que o TCEMG ajude “com um modelo de implantação, cronogramas, formas de proceder e relatórios”.

Foto: Thiago Rios
Foto: Thiago Rios Gomes

Ana Paula Couto é controladora do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Centro-Leste (Ciscel) do Estado, composto por doze municípios. “Faço o controle interno sozinha. Encontro muita resistência por parte dos funcionários, que ficam apreensivos, veem a figura do controlador como forma de repressão”, ressaltou. Flávia afirmou que poderia ter uma “uniformização” para todas as entidades e que isso ajudaria na troca de experiências. Ela gostaria que fosse explicado um passo a passo para se criar uma controladoria e explicou que seria importante que houvesse uma capacitação direcionada a consórcios. “Fico tentando adaptar a capacitação dos municípios para a nossa realidade”, conclui.

O II Seminário de Controle Interno se estende até a manhã do dia 14 de agosto.


Redação: Karina Camargos Coutinho | Coordenadoria de Jornalismo e Redação

Veja o vídeo da manhã (Imagens: Márcio Wander)

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